Casa Revista de moda Obra de arte círculo social Transação imobiliária Notícias atuais MAIS

Conheça adeptas do ‘nolt’, movimento que prega a revolução da velhice

2026-04-20 HaiPress

Adeptas de novos estilos de vida rompem antigos paradigmas sobre o envelhecimento — Foto: Shutterstock

RESUMO

Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

GERADO EM: 16/04/2026 - 15:18

Movimento "Nolt" Transforma Vida de Mulheres Acima de 60 Anos no Brasil

O movimento "Nolt" (New Order Living Trend) está revolucionando a forma como as mulheres acima de 60 anos vivem a maturidade no Brasil. Inspiradas por novas oportunidades,elas mudam de carreira,praticam esportes radicais e desafiam normas sociais. Exemplos incluem Ana Gomes,que aos 69 anos se dedica a corridas e trilhas,e Marilene Ramos,que trocou a moda pela corrida de rua. No entanto,especialistas alertam para a desigualdade social no acesso a esse estilo de vida transformador.

O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.

CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO

Aos 69 anos,a vida da piauiense Ana Gomes não tem nada de trivial. Nascida em uma família simples,ela contrariou o destino das mulheres ao seu redor: atividades manuais,como bordado e costura,cuidados com a casa e o marido. Formada em Educação Física,aposentou-se cedo,aos 50,e não aceitou o fim da vida profissional. Na mesma época,iniciou uma nova graduação,no curso de Direito,trabalhou na área até 2021 e,desde então,desafia-se constantemente. “Sempre fui competitiva. Estou em um grupo de jogos de tabuleiro e estudo muito para participar dos encontros. Também faço maratonas de corridas e,hoje,minha principal atividade é ser trilheira. Subo um morro correndo,pulo de um penhasco até o riacho. Quanto mais difícil,melhor”,diz ela. O maior problema,Ana faz graça,é coordenar a idade física e a mental. “Dizem que as coisas que gosto não são para idosos. Às vezes,minha filha me chama a atenção,mas sou capaz de fazer tudo o que quiser. Danço forró,toco violão. Construí a velhice que queria.”

O fôlego de Ana faz parte de uma geração de mulheres que vem redefinindo o conceito de maturidade e rejeitando imposições sociais,principalmente após a menopausa,período de muitas incertezas e inseguranças. Recentemente,isso ganhou um nome nas redes sociais: Nolt (New Order Living Trend). Discutir o assunto é importante porque,segundo o IBGE,até 2040,teremos mais idosos do que crianças e adolescentes até os 14 anos no Brasil. “As mulheres percebem que ainda há muita lenha para queimar,entendem que podem envelhecer com atitude e autonomia. O Nolt é a maneira diferente de viver a maturidade. São pessoas que ressignificam carreiras,começam novos relacionamentos,quebram tabus”,acredita Adri Rocha,da plataforma de conteúdo She Talks,direcionada a mulheres 40+.

Entusiasta do Nolt,a empresária Marilene Ramos,de 61,encarou uma mudança de carreira após 40 anos trabalhando na moda. Mais do que isso,descobriu a corrida de rua e,no ano passado,competiu em sua primeira São Silvestre. “Quando esse conceito Nolt surgiu,algumas pessoas vieram dizer que tinha a ver comigo. Mudei de carreira e de estilo de vida. Hoje,acordo 5h30 para treinar. Também me divorciei de um marido gato e mais novo,porque não estava mais a fim de ficar casada”,brinca. Já a terapeuta Débora de Luca,de 53,transformou os apuros da menopausa em um novo momento de vida: “Saí do marketing e fui para a psicologia. O climatério,infelizmente,foi cruel. Estudando mais sobre o assunto,assistindo a palestras,conversando com mulheres,criei o Instagram @menopausa_oquenaotecontaram,e hoje me dedico a falar disso”.

Para a psicóloga Rejane Sbrissa,mudar a rota da vida aos 50,60 ou 70 não é um “ato de coragem isolado”. “É um processo de reposicionamento interno diante de um mundo que ainda não se atualizou. E isso significa,em alguma medida,ir contra um sistema etarista,de forma consciente e estratégica”.

Continuar Lendo

Embora haja benesses,a professora de Comunicação e Consumo da ESPM,Gisela Castro,alerta para um recorte de classe necessário ao colocar o Nolt no centro do debate. “O envelhecimento,num contexto desigual como o do Brasil,deixa de ser uma questão pública,e passa a ser uma questão individual,de performance”,pontua ela. A própria ideia de envelhecimento cheia de transformações,como as histórias que você leu nesta matéria,não são uma opção para todos. “Essa trend foi lançada com o objetivo de promover um certo tipo de envelhecer que é uma negação do envelhecimento”,pontua ela. “Poder envelhecer com proatividade,desenvolvendo novas habilidades e novos conhecimentos é muito bacana. Mas quando vira uma obrigação,torna-se perverso”,finaliza Gisela.

Outra vantagem da idade: sabedoria.

Declaração: Este artigo é reproduzido em outras mídias. O objetivo da reimpressão é transmitir mais informações. Isso não significa que este site concorda com suas opiniões e é responsável por sua autenticidade, e não tem nenhuma responsabilidade legal. Todos os recursos deste site são coletados na Internet. O objetivo do compartilhamento é apenas para o aprendizado e a referência de todos. Se houver violação de direitos autorais ou propriedade intelectual, deixe uma mensagem.

Mais recentes

Portugal entre países da OCDE onde salários registaram crescimento real

Confiança dos consumidores da UE em abril no nível mais baixo em três anos

Itália. Booking investigada por suspeitas de favorecimento de alojamentos

Taxa Euribor desce a três e a 12 meses, mas sobe a seis meses

Exportações chinesas de energia alternativa a fósseis disparam

Crise energética. Governo está "a estudar" teletrabalho na Função Pública

© Direito autoral 2009-2020 Capital Diário de Lisboa    Contate-nos  SiteMap