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Exoneração de secretário de Educação de Minas gera primeiro desgaste de vice de Zema no comando do Executivo'

2026-04-30 HaiPress

Ex-secretário de Educação Rosielli Soares (à esquerda) e governador Mateus Simões (à direita) — Foto: Divulgação

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GERADO EM: 29/04/2026 - 19:53

Exoneração de Rossieli Soares gera atritos e cobrança de explicações em MG

A exoneração de Rossieli Soares,ex-secretário de Educação de Minas Gerais,gerou atritos no governo estadual liderado por Mateus Simões. A administração alega que a saída se deve a investigações sobre condutas irregulares,enquanto Rossieli nega ter ciência de tais apurações. A oposição cobra esclarecimentos,destacando acusações de irregularidades em contratos. O caso aguarda mais detalhes das investigações conduzidas pela CGE.

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As divergências provocadas pela exoneração do ex-secretário de Educação de Minas Gerais Rossieli Soares,têm mobilizado a oposição do estado contra o atual governador Mateus Simões,sucessor do ex-governador Romeu Zema (Novo),no comando do Executivo há um mês. A saída do cargo foi comunicada por Rossieli como uma decisão conjunta,mas o ex-auxiliar foi desmentido pela gestão estadual,que informou que ele responderá por irregularidades. Em meio às desavenças,parlamentares de esquerda têm levantado acusações contra o ex-secretário e cobrado o governo sobre o detalhamento das apurações feitas sobre a conduta dele.

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Ao anunciar que deixaria a pasta,em uma nota divulgada por sua assessoria,que dizia que a saída do cargo havia sido "alinhada com o governo". Nas redes sociais,o ex-secretário,que exercia a função desde agosto do ano passado,publicou um vídeo com um balanço da gestão. Na legenda,escreveu que "agora,é hora de cuidar da saúde,estar mais perto da família e recarregar as energias para os próximos passos".

No dia seguinte,no entanto,o governo divulgou uma nota dizendo que "é falsa a informação" de que a saída do ex-secretário tenha sido "em comum acordo,conforme divulgado em nota supostamente enviada por ele à imprensa". No comunicado,o Executivo disse que a decisão,tomada por Mateus Simões,"se deu em virtude de informações preliminares de investigação conduzida pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) e já encaminhadas às autoridades competentes para a tomada de providências."

A informação foi questionada,em seguida,por Rossieli. Em um novo comunicado,ele afirmou que "não teve acesso a quaisquer informações preliminares de investigação conduzida pela CGE". No texto,também afirmou que,"tão logo tenha conhecimento formal de seu conteúdo,se manifestará de forma objetiva e responsável por meio de advogado legalmente constituído". A nota também nega que Rossieli tenha "compactuado com práticas que não estivessem em conformidade com os princípios da legalidade,da transparência e da boa gestão pública".

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Procurada pelo GLOBO,a CGE,por meio da Secretaria de Comunicação do estado,afirmou que "as apurações do caso citado estão em curso preliminares e que,para não prejudicar as investigações,mais detalhes serão repassados em momento oportuno".

Com a repercussão do caso,o Tribunal de Contas do Estado solicitou que o órgão encaminhe,dentro de um prazo de cinco dias,"todos os documentos e informações sobre a investigação que levou à exoneração do ex-secretário",informou em nota. No despacho,o relator do pedido,o conselheiro Agostinho Patrus,afirmou que a documentação é necessária para subsidiar a atuação do Tribunal e avaliar a adoção de novas medidas de fiscalização.

A Corte também afirmou que apura outras representações sobre irregularidades no âmbito da Secretaria de Educação,que incluem "a denúncia de contratação de plataformas educacionais digitais". "Entre os indícios levantados estão a falta de processo licitatório,suspeitas de superfaturamento e pagamentos irregulares". Além disso,o TCE esclareceu que analisa outras acusações sobre irregularidades no âmbito do Projeto “Mãos Dadas”,voltado para o estímulo de matrículas no ensino fundamental,no uso de recursos do Fundeb e sobre a possibilidade de prática de improbidade administrativa e desvio de finalidade no Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG).

Parlamentares mineiros também cobraram do governador o detalhamento das investigações apontadas como razão para o afastamento do ex-deputado. Entre os que se manifestaram,a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT-MG) apresentou requerimentos de informações direcionados à CGE,por meio da Comissão de Educação,Ciência e Tecnologia da Assembleia de Minas,sobre as acusações contra Rossieli.

A parlamentar também foi autora de uma denúncia,enviada no mês passado ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do estado (TCE),que acusava o ex-secretário de irregularidades em um contrato de R$ 348,4 milhões na compra de kits de material didático para as escolas. Na representação,a deputada afirmou que a aquisição dos livros havia sido uma “compra orientada”,sem licitação,para favorecer a contratação de uma empresa paulista,que já tinha sido beneficiada por contratos firmados por Rossieli quando ele exerceu a função de secretário de Educação do Pará. Em resposta,na época,o governo negou irregularidades e disse que o processo resultou em um desconto de 57% na compra dos livros.

— Quando eu apresentei indícios de irregularidade e de corrupção,o governo ficou absolutamente em silêncio,sem dar nenhuma explicação à sociedade. Não é um contrato barato,é um contrato desnecessário,de valores altíssimos,de um produto de péssima qualidade,que não estava no planejamento da Secretaria de Educação — afirmou a parlamentar.

Também do PT de Minas,o deputado federal Rogério Correia relembrou a acusação feita por Cerqueira em uma publicação nas redes sociais. "Mas o caso ainda precisa ser esclarecido,por isso,protocolei uma notícia de fato reforçando a necessidade de investigação",escreveu em uma publicação no X. Já a deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) afirmou que o "ex-secretário de Educação de Zema e Mateus Simões caiu por atuação suspeita" e disse que ele achava que "Minas é uma grande S.A. onde tudo está à venda".

Pelo X,a deputada estadual Andreia de Jesus (PT-MG) disse que "a queda de Rossieli é o retrato do governo Zema-Simões" e afirmou que a atuação do ex-secretário era "marcada por protestos indígenas no Pará,após tentar impor EAD no lugar da educação presencial e por suspeitas envolvendo contratos milionários". A mesma crítica foi feita pela deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG),que escreveu que ele "tentou acabar com o ensino presencial nas aldeias indígenas e quilombolas no Pará",com "aulas pelo celular,sem luz elétrica,sem internet". Antes de assumir a pasta da Educação em Minas,exerceu a mesma em São Paulo e no Amazonas,além do Pará,e foi ministro da Educação do governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).

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