Casa Revista de moda Obra de arte círculo social Transação imobiliária Notícias atuais MAIS

A altura importa? O corpo masculino e a pressão estética de ser baixo

2026-06-03 HaiPress

insatisfação corporal também está presente na população masculina e estudos recentes indicam que ela está associada à percepção do próprio corpo,à comparação social e ao bem-estar psicológico — Foto: Freepik

RESUMO

Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

GERADO EM: 02/06/2026 - 18:44

Abraham Boba discute pressões estéticas em homens de baixa estatura

O músico e escritor Abraham Boba aborda,em seu ensaio "163 centímetros",a pressão estética enfrentada por homens de baixa estatura,destacando que a altura possui implicações sociais significativas. Estudos revelam que a insatisfação corporal também afeta homens,influenciando seu bem-estar psicológico e social. A obra de Boba propõe iniciar uma discussão cultural sobre o corpo masculino e suas pressões,destacando a relevância do tema na saúde mental e no bem-estar.

O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.

CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO

O músico e escritor Abraham Boba publicou 163 centímetros,um ensaio autobiográfico sobre o que significa viver sendo um homem com estatura abaixo da média. À primeira vista,poderia parecer um assunto trivial. Mas a altura,como outros traços corporais,não é socialmente neutra.

Entenda: Odor nos pés não está relacionado ao suor? Podólogo explicaQuetiapina: Medicamento comumente prescrito para problemas de sono acende sinal de alerta de pesquisadores

Durante décadas,a pesquisa acadêmica sobre imagem corporal se concentrou quase exclusivamente nas mulheres. A pressão estética sobre elas,da magreza à juventude,foi analisada como um mecanismo de controle social e de desigualdade de gênero.

Pesquisas mostram,porém,que a insatisfação corporal também está presente na população masculina. Estudos recentes realizados em contextos europeus indicam que ela está associada à percepção do próprio corpo,à comparação social e ao bem-estar psicológico,bem como a comportamentos relacionados à alimentação ou à musculatura. Nesse sentido,a insatisfação corporal masculina não é um fenômeno marginal,mas uma dimensão crescente da saúde mental na população em geral.

Altura e normas sociais

Continuar Lendo

A altura masculina constitui um traço com implicações sociais. Numerosos estudos documentaram a existência da chamada “norma do homem mais alto” (male-taller norm): a expectativa cultural de que os homens sejam mais altos que suas parceiras. Estudos recentes confirmam que essa preferência não apenas persiste,mas que a altura é mais valorizada como um traço importante pelas mulheres do que pelos homens na escolha de parceiras ou parceiros.

Entenda os motivos: Os 3 alimentos que pioram as dores de cabeça

A altura é culturalmente associada a traços como liderança ou proteção,o que ajuda a explicar por que pode influenciar a percepção de atratividade ou de status social. Nesse sentido,um traço aparentemente trivial,alguns centímetros a mais ou a menos,pode ter consequências em âmbitos tão diversos quanto as relações afetivas ou a autoestima.

O interesse de livros como o de Boba reside precisamente em tornar visível como características corporais aparentemente banais podem se converter em experiências sociais significativas.

O corpo: capital erótico,cultural ou social

Para compreender por que o corpo adquire tanta relevância social,alguns sociólogos recorreram ao conceito de capital erótico,proposto pela socióloga britânica Catherine Hakim e posteriormente discutido por autores como José Luis Moreno Pestaña em seu trabalho sobre corpo,estética e desigualdade.

Esse conceito descreve o conjunto de atributos relacionados à aparência física (beleza,estilo,encanto ou forma corporal) que podem se traduzir em vantagens sociais ou profissionais em determinados âmbitos da vida social.

Existem ultraprocessados menos prejudiciais à saúde? Médico 'traduz' mitos e verdades sobre o tema

Nesse sentido,o corpo pode ser entendido como uma forma de recurso social que,em determinados contextos,opera de maneira análoga a outras formas de capital descritas por Pierre Bourdieu,como o capital cultural,isto é,as competências,habilidades e conhecimentos que permitem a certos grupos obter reconhecimento e status.

Masculinidade e silêncio corporal

Apesar dessa pressão,existe uma diferença cultural importante entre homens e mulheres: a forma como se fala do corpo.

Nas últimas décadas,as mulheres desenvolveram movimentos sociais e culturais que questionam os padrões de beleza,como o body positive,com raízes em tradições feministas e interseccionais,voltados a promover uma maior aceitação corporal diante dos ideais normativos dominantes. Esses movimentos contribuíram para tornar visível o impacto psicológico e social dos cânones corporais e,segundo pesquisas recentes,a exposição a conteúdos body positive está associada a melhorias na satisfação corporal e no bem-estar emocional.

Em contrapartida,o mal-estar corporal masculino costuma se expressar de forma mais indireta. Diversos estudos qualitativos assinalam que os homens tendem a abordar sua relação com o corpo como uma trajetória de mudança e gestão. Os homens descrevem sua relação com o corpo por meio de práticas concretas,como exercício físico,dieta ou mudanças corporais,que organizam sua experiência corporal em termos de ação. Assim,o corpo masculino se apresenta como algo que se modifica,se administra e se otimiza ao longo do tempo,mais do que como uma realidade centrada na expressão direta do mal-estar ou da vulnerabilidade estética.

Essa diferença tem sido relacionada a normas tradicionais de masculinidade que valorizam o autocontrole e limitam a expressão pública do mal-estar corporal ou emocional. Nesse sentido,algumas autoras apontaram que a pressão estética não opera apenas como uma exigência externa,mas como uma forma de violência interiorizada que estrutura a relação com o próprio corpo,como propõe Elena Crespi.

Falar do corpo masculino

Nesse contexto,textos autobiográficos como o de Abraham Boba podem ser interpretados como parte de uma mudança cultural mais ampla: o início de uma conversa pública sobre o corpo masculino.

Mais do que inaugurar um tema novo,essas narrativas contribuem para tornar visíveis experiências que,durante muito tempo,permaneceram pouco nomeadas. Compreender essas dinâmicas é relevante não apenas para analisar as mudanças culturais em torno da masculinidade,mas também para abordar suas implicações na saúde mental e no bem-estar.

Por isso,o crescente interesse acadêmico pela imagem corporal masculina reflete uma mudança na forma de entender a relação entre corpo,gênero e bem-estar,e abre novas linhas de pesquisa sobre suas implicações sociais e psicológicas.

*Antoni Aguiló Bonet é Profesor Titular Laboral na Universitat de les Illes Balears (Espanha)

*Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.

Declaração: Este artigo é reproduzido em outras mídias. O objetivo da reimpressão é transmitir mais informações. Isso não significa que este site concorda com suas opiniões e é responsável por sua autenticidade, e não tem nenhuma responsabilidade legal. Todos os recursos deste site são coletados na Internet. O objetivo do compartilhamento é apenas para o aprendizado e a referência de todos. Se houver violação de direitos autorais ou propriedade intelectual, deixe uma mensagem.

Mais recentes

Namorados, Iza e João Vitor Silva vão contracenar em novo filme da Globo. Veja foto exclusiva

Uso de Mounjaro no STF provoca atualizações no sistema de reconhecimento facial

Após bater recordes de contratações, Flamengo terá fôlego limitado na próxima janela de transferências

Que Jogo É Esse: Como a Copa do Mundo mudou a minha vida

Teresa Cristina prepara seu primeiro trabalho inteiramente autoral: 'Preciso mostrar minhas canções'

Empresas brasileiras taxadas agora por Trump têm dificuldades de vender para outros países: veja a diferença do 1º tarifaço

© Direito autoral 2009-2020 Capital Diário de Lisboa    Contate-nos  SiteMap