Casa Revista de moda Obra de arte círculo social Transação imobiliária Notícias atuais MAIS

Do galpão ao arranha-céu: por que as baladas estão se verticalizando em São Paulo

2026-06-07 HaiPress

Cidade de São Paulo vive verticalização da vida noturna — Foto: edilson dantas

RESUMO

Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

GERADO EM: 06/06/2026 - 17:21

Festas e Bares de SP Sobem aos Arranha-Céus em Busca de Silêncio e Vista

A vida noturna de São Paulo está se "verticalizando",com festas e bares mudando-se para edifícios altos devido a mudanças urbanas e fiscalização do PSIU. Problemas com poluição sonora têm levado empresários a adaptar espaços em arranha-céus para oferecer segurança e vistas panorâmicas,como o Ephigenia no 22º andar e o Iccarus no 43º. Apesar dos custos,a experiência de contemplar a cidade atrai muitos frequentadores.

O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.

CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO

Mesmo após os escritórios e estúdios fecharem no Edifício Fernão Dias,no centro histórico de São Paulo,um time de ascensoristas permanece de plantão até a madrugada. A missão é simples: levar clientes do térreo ao 22º andar,onde funciona a balada Ephigenia. Em um cenário que tem se tornado cada vez mais comum,a cena ilustra uma transformação da noite paulistana: as festas deixaram os galpões e imóveis térreos para ocupar os andares mais altos da cidade.

Desabamento no Acre: Vítima disse que ponte caiu enquanto ele mostrava fissura na estrutura para juiz fazer liveLeia mais: Ponte de R$ 36 milhões inaugurada há dois anos desaba no Acre; vídeo mostra o desabamento

Se no passado a cidade ficou conhecida pelo fluxo de pessoas e eventos que tomava as ruas da capital,como ocorria na Rua Augusta e na Praça Roosevelt,atualmente a cidade vive um movimento de "verticalização" da vida noturna.

Exemplos recentes incluem edifícios históricos da cidade,como o Martinelli,primeiro arranha-céu da capital que ganhou uma balada em seu 25º andar; o bar Matiz,que opera no 11º andar do Edifício Carlos Rusca; e o Iccarus,o mais recente deles,lançado oficialmente ao público este ano e instalado no 43º andar do Mirante do Vale. Do topo de um desses edifícios,é possível avistar o outro.

Ephigenia,balada no 22º andar do Edifício Fernão Dias,no Centro Histórico de São Paulo — Foto: Edilson Dantas

Continuar Lendo

A decisão de levar as festas para o alto dos prédios passa por uma série de fatores. Há questões relacionadas à segurança,por se tratar de ambientes mais controlados; o diferencial de oferecer uma vista panorâmica da cidade; e um dos fatores mais relevantes para o setor: os impactos da Lei do PSIU.

A legislação,que fiscaliza a poluição sonora em locais de uso não residencial,tem se tornado uma preocupação constante para estabelecimentos voltados ao público da madrugada. As multas podem variar de R$ 12 mil a R$ 36 mil.

Somente no primeiro semestre deste ano,de acordo com dados da Prefeitura de São Paulo,houve 12.848 solicitações de acionamento do programa. O número é 18% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado,quando foram contabilizadas 10.901 ocorrências.

As reclamações estão espalhadas por toda a cidade,mas se concentram principalmente em bairros como Consolação,Pinheiros,Liberdade e República,regiões tradicionalmente associadas à vida noturna.

Nesse cenário,em que foi preciso subir para continuar funcionando madrugada adentro,o empresário Lucas Amorim,sócio da Ephigenia e da Iccarus,explica que a Ephigenia precisou passar por uma série de adaptações acústicas para atravessar a noite. No sistema conhecido como Box in Box (caixa dentro de caixa),o isolamento sonoro da casa conta com piso flutuante apoiado sobre mantas acústicas,paredes duplas e teto suspenso.

Mesmo com os investimentos,o empresário critica a ausência de uma política urbana voltada à convivência entre moradia e entretenimento.

— A questão do PSIU envolve um problema um pouco mais profundo,que é talvez a falta de um plano diretor mais bem definido. São Paulo tem uma vida noturna incrível,comparada à de várias cidades do mundo. Muitas vezes a gente chega a uma região degradada,consegue revitalizá-la e,depois,começam a surgir prédios ao redor. Em muitos casos,as construtoras não instalam sequer janelas acústicas,mesmo sabendo que ali já existia um estabelecimento que gera mais barulho — afirmou.

Ingressos para casas instaladas nos andares mais altos da cidade variam de R$ 25 a mais de R$ 120 — Foto: Edilson Dantas

Se para os empresários a mudança atende a questões operacionais e regulatórias,para parte do público o principal atrativo continua sendo a vista. O analista de sistemas Lucas Bresanil,de 26 anos,morador de Bauru,estava na Ephigenia na última quinta-feira e planejava seguir a noite em outros endereços elevados da capital,incluindo a Iccarus e o Martinelli.

— Eu sou do interior e lá não existe essa quantidade de prédios. Acho incrível olhar a cidade de cima,ver toda essa paisagem iluminada. É uma experiência diferente. Você pode estar em uma balada comum,mas,quando está em um arranha-céu,existe essa sensação de contemplar a cidade — disse.

A experiência,porém,tem seu preço. Dependendo da festa,os ingressos para casas instaladas nos andares mais altos da cidade variam de R$ 25 a mais de R$ 120. Enquanto a reportagem deixava a balada na última quarta-feira,um grupo de amigos parados na entrada questionou e valia gastar R$360 (um ingresso para casa) para aproveitar o restante da noite.

Endurecimento

A tendência de ocupar os céus da cidade avança justamente no momento em que a Prefeitura de São Paulo busca endurecer as regras de fiscalização do ruído urbano. Encaminhado à Câmara Municipal no mês passado,um projeto de lei amplia os poderes do Programa de Silêncio Urbano (PSIU) e cria novos mecanismos de fiscalização.

A proposta prevê o fechamento imediato de estabelecimentos envolvidos em atividades ilícitas,amplia a fiscalização para imóveis residenciais,cria blitz ostensivas do PSIU e estabelece regras para obras com barulho excessivo,especialmente durante a noite.

Entre os principais pontos está a possibilidade de interdição imediata de estabelecimentos flagrados em situações relacionadas à criminalidade ou a contravenções,como exploração de máquinas caça-níqueis ou venda de bebidas sem nota fiscal.

Pela proposta,a interdição poderá ocorrer a partir da constatação da Guarda Civil Metropolitana ou de autoridades policiais. O projeto ainda será analisado pelo plenário da Câmara Municipal.

Declaração: Este artigo é reproduzido em outras mídias. O objetivo da reimpressão é transmitir mais informações. Isso não significa que este site concorda com suas opiniões e é responsável por sua autenticidade, e não tem nenhuma responsabilidade legal. Todos os recursos deste site são coletados na Internet. O objetivo do compartilhamento é apenas para o aprendizado e a referência de todos. Se houver violação de direitos autorais ou propriedade intelectual, deixe uma mensagem.

Mais recentes

Alunos de ensino médio criam sistema de IA para detectar balões de São João

Mega-Sena sorteia prêmio de R$ 3,5 milhões nesta terça-feira

TSE analisa decisão de Nunes Marques que alegou 'indução de entrevistados' e suspendeu pesquisa após pedido de Flávio Bolsonaro

Política migratória dos EUA impõe obstáculo inédito a jogadores, árbitros e comissões técnicas na Copa do Mundo 2026

Veja como desentupir o chuveiro para restaurar a pressão da água com uma receita caseira

Checar o celular assim que acorda indica traços de personalidade e hábito pode impactar o cérebro; entenda

© Direito autoral 2009-2020 Capital Diário de Lisboa    Contate-nos  SiteMap