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Em aceno às mulheres, presidenciáveis reforçam propostas e ajustam discurso para reduzir resistências

2026-07-06 HaiPress

Lula,Flávio Bolsonaro,Romeu Zema,Ronaldo Caiado e Renan Santos — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil,Edilson Dantas / Agência O Globo,Reprodução/TV Globo,Divulgação e Genial/Divulgação

RESUMO

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GERADO EM: 05/07/2026 - 21:32

Pré-candidatos à Presidência do Brasil disputam voto feminino decisivo

Pré-candidatos à Presidência do Brasil intensificam esforços para conquistar o voto feminino,crucial por representar mais da metade do eleitorado. Lula foca em combater a violência contra a mulher e em medidas de igualdade salarial. Flávio Bolsonaro,em crise familiar,busca propostas que atraiam eleitoras,enquanto Caiado,Zema e Renan Santos ajustam suas estratégias sem segmentação exclusiva.

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Tentando atrair uma parcela da população que representa mais da metade do eleitorado,pré-candidatos à Presidência ampliaram os acenos às mulheres. Em busca da reeleição,o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou a divulgação de medidas voltadas ao segmento,mas lida com críticas pela falta de avanços concretos durante a gestão. Do lado da oposição,em meio à crise com a madrasta,Michelle Bolsonaro,o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta reduzir a resistência com novas propostas e procura uma vice mulher. Já Ronaldo Caiado (PSD) concentra acenos na área da segurança pública,enquanto Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) buscam um tom para fisgar o voto feminino.

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As eleitoras somam 52,47% do total,segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE),mas ainda são minoria como representantes em cargos eletivos. Há um ano,Lula passou a incluir em praticamente todas as suas falas públicas o combate à violência contra a mulher. Na quinta-feira,por exemplo,defendeu aumento de pena para homens que matam mulheres.

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A estratégia da campanha petista será mostrar os esforços do governo para redução da violência doméstica,as ações de igualdade salarial e aumento nos serviços pelo Sistema Único de Saúde na linha de cuidados,sempre comparando o tratamento dado às mulheres na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo a pesquisa Quaest mais recente,35% das mulheres se declaram antibolsonaristas,enquanto 25% são antipetistas.

O levantamento de junho também mostra que o índice de mulheres que aprova o governo cresceu de 45% para 49% entre abril e o mês da pesquisa. Agora,o objetivo do governo é manter esse percentual em crescimento e tentar transformá-lo em votos.

Disputa pelas indecisas

Na campanha de Lula,há uma percepção de que é fundamental o petista continuar com o apoio feminino,em especial nas classes C,D e E. A campanha também espera que a briga entre Flávio e Michelle empurre candidatas indecisas para o campo lulista.

— Todas as políticas construídas pelos governos do PT trataram diretamente da vida concreta das mulheres — afirma a vereadora de São Paulo Luna Zarattini (PT),integrante da coordenação da campanha.

Apesar do discurso,o Ministério das Mulheres não teve destaque durante o terceiro mandato de Lula nem elaborou políticas que ganhassem tração. O desempenho provocou a troca de Cida Gonçalves por Márcia Lopes em maio de 2025. A nova ministra tem focado no reforço de políticas de combate à violência de gênero.

Sob o governo Lula,o país registrou o primeiro trimestre mais letal contra as mulheres desde 2015. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública,foram 399 vítimas de feminicídio entre janeiro e março. Ou seja,uma mulher é vítima de feminicídio no Brasil a cada 5 horas e 25 minutos.

Para direcionar mais ações para o segmento,Lula ampliou a participação feminina no núcleo que comanda a campanha,na comparação com 2022. Entre as integrantes do grupo decisório estão Luna Zarattini,a Secretária Nacional de Mulheres do PT,Mazé Morais,Lucinha do MST e a secretária de Juventude do PT,Júlia Köpf.

Ainda sem papel definido,a primeira-dama Janja da Silva também vai atuar nas discussões sobre o tema. Na terça-feira,ela rebateu,sem citar diretamente,a fala do blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo,que afirmou que mulheres “votam muito mal”.

Já no campo oposto,a avaliação de integrantes da pré-campanha de Flávio,que tentou se desvencilhar da declaração do aliado,é que a segurança pública continuará no centro do discurso eleitoral,mas,sozinha,não será suficiente para ampliar sua competitividade entre as mulheres.

A estratégia passou a combinar o endurecimento no combate à criminalidade com propostas voltadas à autonomia financeira,à geração de renda e ao reconhecimento do trabalho de cuidado,temas que,segundo aliados,aparecem de forma recorrente nas pesquisas qualitativas.

A urgência de Flávio em montar uma plataforma para o segmento aumentou após a crise pública envolvendo Michelle,que gravou um vídeo se dizendo “humilhada” pelo enteado,em meio à disputa política sobre palanques no Ceará.

No entorno do senador,a avaliação é que o episódio tornou ainda mais evidente a necessidade de construir uma agenda positiva. O cenário piorou após a fala de Paulo Figueiredo,e aliados reconhecem que a declaração freou um esforço para alcançar um público hoje,em grande parte,refratário ao pré-candidato. Ao abrir,na semana passada,o encontro com mulheres da campanha,o senador procurou reconhecer a dificuldade com o público feminino e assumiu para si a responsabilidade por esse cenário.

Parte do esforço para mudar o quadro está em um programa coordenado pela ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques. A plataforma reúne propostas de combate à violência doméstica,incentivo ao empreendedorismo feminino,ampliação do acesso ao microcrédito e políticas ligadas à economia do cuidado.

— Queremos ouvir as contribuições e práticas das vivências delas — afirmou Daniella.

Outros presidenciáveis

Nas últimas semanas,o senador passou a defender com mais frequência a escolha de uma mulher para compor sua chapa presidencial. Entre os nomes lembrados por aliados estão a própria Daniella,a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e as deputadas Bia Kicis (PL-DF) e Simone Marquetto (PP-SP),embora nenhuma delas confirme ter recebido convite.

Entre os demais presidenciáveis,a pré-campanha de Caiado passou a veicular inserções na televisão dedicadas ao combate à violência doméstica e ao feminicídio,nas quais ele afirma que “quando esses criminosos são agressores de mulheres,tenho ainda mais mão pesada”. O discurso também tem sido repetido em agendas públicas. Caiado costuma afirmar que “em briga de marido e mulher,mete algema”.

A estratégia,no entanto,não foi acompanhada por uma maior participação feminina na construção da chapa presidencial. Durante meses,aliados discutiram a possibilidade de indicar uma mulher para a vaga de vice,mas Caiado acabou escolhendo o presidente do PSD,Gilberto Kassab.

No caso de Romeu Zema (Novo),a campanha afirma que não pretende lançar um programa específico voltado às mulheres. A estratégia será tratar temas considerados prioritários para esse público dentro do programa geral de governo,sem criar uma plataforma segmentada. A avaliação é que as principais demandas do eleitorado feminino passam por segurança pública,emprego,renda,educação e acesso a creches.

O pré-candidato do Missão,Renan Santos,também afirma que não pretende construir uma campanha baseada em acenos específicos ao eleitorado feminino,mas em propostas que,segundo ele,respondem a problemas concretos enfrentados por elas. A estratégia concentra-se em temas como endurecimento das penas para casos de violência doméstica,combate ao abandono parental,ampliação da oferta de escolas em tempo integral e medidas para garantir o pagamento de pensão alimentícia,especialmente voltadas às mães solo.

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