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Geração atual não assume sua responsabilidade com o país

2026-08-13 HaiPress

Jovens na universidade — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo/30/04/2026

A democracia,em sua vertente civilizatória,firma pacto político intergeracional: aos mais velhos cumpre o trabalho diário pelo aprimoramento qualitativo das instituições,de forma a viabilizar um futuro melhor aos mais jovens. Tal ciclo virtuoso — selado entre vínculos de consciência e responsabilidade cívica — eleva a democracia como instrumento de realização do bem comum,do crescimento econômico,do desenvolvimento humano,da evolução social e cultural do povo. Em sua dinâmica estrutural,o sucesso de uma geração política é medido por sua herança institucional ao país.

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Nossos pais cumpriram com seu dever,entregando um Brasil melhor. A imagem de Ulysses Guimarães empunhando a Constituição é o símbolo de uma geração que acreditou na retomada institucional e no restabelecimento do regime das liberdades constitucionais como vias de construção de um país mais justo,próspero e com oportunidades a todos os brasileiros. Apesar dos trancos e solavancos naturais de processos políticos complexos,os artífices da redemocratização conseguiram colocar o país em nível institucional mais alto,especialmente após debelarem a inflação galopante com o sucesso do Plano Real. Em homenagem às conquistas do passado,a estabilidade econômica deveria ser marco inegociável diante do populismo demagógico da irresponsabilidade fiscal.

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Infelizmente,entre sinuosidades da vida política,divergimos do caminho da prosperidade. A governança pequena e mesquinha retomou as rédeas de condução da República,vilipendiando-a. Em vez da riqueza coletiva,elegemos a pobreza individual. Em vez da razão de pensar o país,optamos por erro e estupidez. Em vez da decência,ganhou a corrupção. Em vez do império da lei,erigimos a injustiça ostensiva. Em vez do ensino,entregamos ignorância. Em vez da segurança pública,decaímos na violência urbana. Os fatos estão aí; bastam olhos de ver.

É triste admitir,mas a geração atual (de que faço parte) não tem assumido sua responsabilidade política com o país. A dualidade eleitoral tacanha entre Lula e Bolsonaro é sintoma do brete em que nos metemos. Iremos às urnas com a certeza de que o voto não resolverá nossos problemas. Tal situação é absolutamente frustrante,fragilizando o ideal democrático e sua força transformadora no imaginário popular.

A retomada do crescimento e da prosperidade não acontecerá por milagres. Política séria é trabalho diário,é capacidade de decisão,é habilidade de construção de consensos,é autoridade,sem rabo preso,para agir com independência e espírito público. Portanto,o país precisa urgentemente de uma nova força política a vir do âmago da sociedade civil inconformada,pressionando a política de fora para dentro. Não há outra solução possível. O dever é nosso. Chega de fazer de conta que não é conosco. Chega de querer o bônus da democracia sem o ônus da responsabilidade.

Objetivamente,o Brasil é frágil e vulnerável porque não temos projeto de inserção geopolítica nem agenda de desenvolvimento nacional. O país é uma bagunça. O improviso nos governa. O povo sofre. Assim é porque temos um poder econômico pacato e subalterno. Não exerce sua liderança. Aceita o desmando. Cala quando deveria falar. Elege a inércia,e não a ousadia transformadora.

Por tudo,a tendência é que nossos filhos recebam um país institucionalmente mais baixo,com a democracia em descrédito e a economia gravemente avariada. Tal cenário desolador não é uma condenação perpétua. Democracia é possibilidade de mudanças. Para tanto,o caminho é um só: a elite econômica assumir sua responsabilidade com o país,vindo a ocupar o vácuo de poder atual e,ato contínuo,substituir o insustentável modelo socialista estatizante por um vigoroso capitalismo de oportunidades a todos os brasileiros.

*Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr.,advogado,é presidente do Instituto Millenium

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