KUQA, China - À sombra de grutas budistas centenárias ao longo das lendárias rotas de caravanas que, no passado, ligavam a China à Pérsia e ao Mediterrâneo, mais de vinte criadores de conteúdo de onze países reúnem-se esta semana para apresentar ao mundo um dos mais importantes cruzamentos históricos da Ásia.
A viagem de uma semana, intitulada "This Summer, Meet Kuqa", acontece de 3 a 9 de agosto de 2026 e levará os influenciadores visitantes a nove condados e cidades da Prefeitura de Aksu, no noroeste da China — uma região há muito reconhecida como um dos principais centros da antiga Rota da Seda.

A programação tem início com uma cerimônia de abertura no Museu de Kuqa, que abriga uma valiosa coleção de artefatos de Qiuci (também conhecido como Kucha), testemunhos de mais de mil anos de intercâmbio cultural ao longo da Rota da Seda.
O legado de um antigo reino
A antiga Kucha foi um reino-oásis onde as civilizações chinesa, persa, indiana e greco-romana se encontraram entre os séculos III e VIII d.C. Como um dos mais importantes centros da Rota da Seda do Norte, tornou-se um polo de intercâmbio cultural, artístico e comercial, difundindo sua influência muito além da região ao longo da Rota da Seda.
Nas proximidades encontram-se as Grutas de Kizil, escavadas em penhascos de arenito vermelho e decoradas com murais de aproximadamente 1.700 anos. Segundo muitos estudiosos, essas grutas são mais antigas e, em alguns aspectos, comparáveis às mais conhecidas Grutas de Mogao, em Dunhuang, mais a leste.
Esse legado histórico ocupa um lugar central no roteiro da viagem. Os criadores de conteúdo visitarão oficinas dedicadas à preservação das técnicas tradicionais de pintura mural e fabricação de instrumentos musicais, além de assistir a apresentações ao vivo da música e da dança de Kuqa — uma expressão artística cuja influência, segundo historiadores, ajudou a moldar o entretenimento das cortes durante as dinastias chinesas.
"Há uma tendência de pensar na Rota da Seda como algo que existe apenas nos livros de história", afirmou um integrante da equipe organizadora.
"Queremos que o público veja que essas tradições continuam vivas e permanecem parte da vida cotidiana."

Muito além dos museus
O percurso segue três rotas que partem de Kuqa em direção às cidades-oásis de Xinhe e Shaya, estendendo-se depois mais a oeste para Baicheng, Wensu, a cidade de Aksu, Awat, Wushi e Kalpin — localidades irrigadas por rios que descem das Montanhas Tianshan.
Os roteiros incluem desde caminhadas por vales alimentados por geleiras até visitas a famílias agricultoras durante a colheita de uvas e melões, refletindo a reputação da região como produtora de algumas das frutas mais doces da China.
Segundo os organizadores, o objetivo é promover uma interação autêntica com a cultura local e proporcionar aos participantes — muitos deles com grande audiência na Europa, América Latina, Sudeste Asiático e África — uma compreensão mais profunda da vida cotidiana ao longo da antiga rota comercial.

Um destino em ascensão
Aksu, até recentemente pouco conhecida pela maioria dos viajantes internacionais, vem sendo promovida pelas autoridades regionais de turismo como um destino emergente — um lugar onde é possível conhecer o patrimônio da Rota da Seda sem as multidões que caracterizam destinos como Xi'an ou Dunhuang.
Os organizadores esperam que as publicações dos influenciadores — incluindo vídeos curtos, fotografias e vlogs — contribuam para atrair um número maior de visitantes internacionais nas próximas temporadas turísticas.
A recuperação do turismo na China foi fortalecida por uma ampliação das iniciativas de promoção internacional. Os criadores de conteúdo compartilharão suas experiências em plataformas como YouTube, Instagram e TikTok para alcançar especialmente o público mais jovem.
Uma Rota da Seda viva
Para os criadores de conteúdo, o principal atrativo está menos nas apresentações formais e mais na experiência direta: artesãos demonstrando diante das câmeras técnicas transmitidas ao longo de séculos e paisagens — que combinam deserto, vales glaciais e pomares — ainda pouco conhecidas pelo público internacional.
Como resumiu um dos participantes antes do início da viagem, o encanto de Kuqa está menos em visitar um único monumento do que em "vivenciar o ritmo cotidiano de uma antiga civilização" — uma experiência que, segundo esperam os organizadores, inspirará cada vez mais pessoas a descobrir Kuqa por si mesmas.
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