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Michelle intensifica agenda com evangélicos enquanto rivais buscam espaço no segmento religioso no DF

2026-08-19 HaiPress

Candidata ao Senado Federal,Michelle Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) começou a campanha ao Senado pelo Distrito Federal com uma sequência de agendas voltadas ao eleitorado evangélico,segmento com o qual mantém uma relação construída desde antes da entrada na política. Nos últimos dias,ela participou de eventos com lideranças religiosas,cantou ao lado de uma artista gospel e esteve em uma reunião com o Conselho de Líderes Evangélicos na Sara Nossa Terra,em Brasília.

No último sábado,Michelle participou de um evento com evangélicos e cantou a música “Deserto”,ao lado da cantora gospel Maria Marçal. O momento foi divulgado pela própria ex-primeira-dama nas redes sociais e também compartilhado por apoiadores.

Na segunda-feira (17),Michelle esteve na Embaixada Sara Nossa Terra para uma reunião com integrantes do Conselho de Líderes Evangélicos. O encontro foi realizado durante uma comemoração do bispo Robson Rodovalho,liderança com forte trânsito no segmento evangélico e próxima da família Bolsonaro. Rodovalho também atuou como conselheiro do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A agenda reuniu,além de Michelle,a vice-governadora do DF,Celina Leão,a deputada federal Bia Kicis (PL-DF),o deputado Júlio César (Republicanos-DF) e Rodrigo Delmasso. A presença de Michelle ao lado de lideranças religiosas reforçou uma frente que tende a ganhar peso na campanha para o Senado.

O movimento ocorre em um eleitorado considerado estratégico no Distrito Federal. Segundo o Censo 2022 do IBGE,29,2% da população de 10 anos ou mais do DF se declarou evangélica. O percentual coloca o segmento entre os principais grupos religiosos do eleitorado local.

A relação de Michelle com esse público é anterior à atual disputa eleitoral. Durante o governo Bolsonaro,ela construiu uma imagem associada à defesa de pautas caras ao segmento evangélico e manteve presença frequente em igrejas e eventos religiosos. Na campanha deste ano,essa conexão aparece novamente como um ativo político.

Michelle deu a largada oficial na campanha no último domingo,em Ceilândia,seu principal reduto eleitoral,ao lado de Celina Leão (PP),candidata à reeleição ao governo do Distrito Federal. Nesta terça-feira (18),porém,participou de um evento do deputado federal Alberto Fraga (PL-DF),onde dividiu o palanque com José Roberto Arruda,candidato ao governo e adversário de Celina. No encontro,Michelle pediu votos para Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência.

— Precisamos eleger Flávio Bolsonaro como presidente. Vamos trabalhar para eleger a chapa do coração do Bolsonaro,para elegermos duas mulheres — afirmou,em referência às candidaturas dela e da deputada Bia Kicis ao Senado.

A movimentação de Michelle ocorre em paralelo a uma disputa mais ampla pelo eleitorado religioso. O Distrito Federal terá 13 candidatos ao Senado,e outros nomes já começaram a estabelecer pontes com igrejas e lideranças evangélicas.

A senadora Leila do Vôlei (PDT-DF),por exemplo,participou no domingo de uma reunião com integrantes do Conselho de Pastores Independentes do Distrito Federal. Segundo a campanha,o encontro serviu para apresentar um balanço de projetos sociais apoiados pelo mandato em parceria com igrejas de diferentes regiões do DF.

Durante a reunião,o bispo Ricardo de Holanda,da Igreja Mundial do Poder de Deus,destacou a atuação de Leila em projetos desenvolvidos pelas instituições religiosas. A senadora afirma ter apoiado mais de 640 projetos sociais desde o início do mandato,alcançando cerca de 325 mil pessoas.

A candidata do PT,Erika Kokay,também já participou de uma agenda religiosa neste ano,embora anterior à campanha oficial. Em junho,esteve em uma celebração em uma igreja anglicana dedicada ao mês do orgulho LGBTQIA+,ocasião em que defendeu a liberdade,a diversidade e um amor acolhedor contra o medo.

Na direita,Sebastião Coelho,candidato ao Senado pelo Novo e pastor,também tem buscado aproximação com lideranças religiosas. Nesta segunda-feira,publicou registros de encontros com pastores e bispos. Em uma das fotos,aparece ao lado dos pastores Heldemar Garcia e Ricardo Espíndola,da Igreja Batista Central. Em outra,ao lado do bispo Pedro Gomes,da Igreja de Deus,e de Expedito Ferreira de Melo.

Apesar de outros candidatos também circularem por igrejas e manterem diálogo com lideranças religiosas,Michelle tem uma relação particularmente consolidada com o segmento. A sequência de agendas na largada da campanha indica que a ex-primeira-dama pretende transformar esse vínculo em uma frente de mobilização eleitoral na disputa por uma das duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal.

A estratégia também se conecta à própria composição da chapa do PL. Michelle e Bia Kicis disputam as duas cadeiras pelo partido,enquanto precisam dividir o eleitorado de direita com outros candidatos que tentam se apresentar como alternativas dentro do campo conservador.

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